Como o ambiente socioeconômico favoreceu Portugal a se tornar uma potência marítima
Antes do descobrimento do novo continente a Europa vivia um período de enormes dificuldades. As guerras, a Peste Negra e a fome eram problemas que assolavam a população do continente europeu. Além disso, o comércio com outros continentes era monopolizado pelas cidades da costa italiana, principalmente Veneza e Gênova. Isso dificultava, consideravelmente, o comércio com as cidades mais ao ocidente do continente. Desde a definitiva expulsão dos mouros do sul de Portugal o país vivia um período de relativa calmaria, o que deixou os portugueses livres para investirem em empreendimentos como a escola de Sagres. A “escola náutica” aperfeiçoou a tecnologia de navegação, o que contribuiu para o desenvolvimento das explorações marítimas da época. Com uma posição geográfica privilegiada que ajudava os portugueses no contato com o mar. Os portugueses lançaram-se ao mar, atraídos pelo tráfico de escravos e o ouro africano, antes mesmo dos turcos tomarem Constantinopla e efetuarem o bloqueio do comércio continental em 1453. Com o fim das rotas marítimas via Ásia menor, devido ao bloqueio, o preço das especiarias cresce vertiginosamente. Consequentemente iniciam-se as navegações portuguesas no atlântico, com o avanço pela costa africana. Diante desse cenário Portugal sai, então, na frente com Vasco da Gama descobrindo o caminho para as Índias e o pequeno país tornando-se uma potência marítima.
O ambiente econômico das terras brasileiras nas primeiras décadas do seu “descobrimento”, e o papel das Capitanias Hereditárias na formação econômica do Brasil.
Sofrendo pressão política e correndo o risco de perder o território para as demais nações europeias, Portugal viu-se obrigado a ocupar as terras recém-descobertas. Porém não era tarefa fácil visto que ninguém queria vir para um ambiente totalmente inóspito, hostil e cheio de perigos. Além do mais, ocupar o Brasil significava desviar recursos de outros empreendimentos que se mostravam mais produtivos que o Brasil. O tão sonhado ouro não foi encontrado, pelo menos no início da colonização, deixando a Portugal a difícil tarefa de encontrar outra maneira que se mostrasse economicamente viável de ocupar o imenso território. A coroa portuguesa opta por explorar a cana de açúcar, aproveitando o sucesso da produção do artigo anteriormente pelos portugueses nas ilhas do Atlântico. Em 1532 o rei D. João III, decidiu ocupar definitivamente as terras brasileiras, utilizando o sistema de sesmarias baseado nas capitanias, que aqui no Brasil seriam hereditárias. Esse sistema funcionava, mais ou menos, nos moldes do que era o feudalismo. Com um imenso território, poucas foram as capitanias que prosperaram, principalmente pelo enorme montante de recursos que exigiam para serem ocupadas e pela falta de interesse que os seus donatários demostraram. Apesar dos enormes privilégios jurídicos e fiscais concedidos pela coroa, a maioria dos donatários não possuíam recursos suficientes para que pudessem explorar suas posses. Dos donatários que receberam as capitanias quatro nunca foram ao Brasil, três faleceram pouco depois, três retornaram a Portugal, um foi preso por heresia e apenas dois se dedicaram à colonização (Duarte Coelho em Pernambuco e Martim Afonso de Souza na capitania de São Vicente). No entanto optou-se pela grande propriedade, principalmente, devido à conveniência de produzir em larga escala. Além disso, pequenos proprietários tendem a produzir para sua subsistência, vendendo ao mercado apenas uma quantidade reduzida e coroa precisa extrair da colônia o máximo de recursos que pudesse para que o empreendimento fosse viável. A opção pelo trabalho escravo deu-se, entre outros motivos, por causa da dificuldade em trazer mão-de-obra assalariada para a colônia e pelo lucro que o tráfico gerava para a metrópole.
A estrutura de produção e a pirâmide social decorrente dela, no século XVI.
Com uma economia baseada na monocultura da cana-de-açúcar, o pilar de sustentação da economia era o engenho que utilizava mão-de-obra africana. O principal objetivo era exportar toda a produção para o mercado europeu. Neste período, a sociedade colonial já tinha características bem estabelecidas, com senhores de engenho no topo da pirâmide social, seguidos por uma classe média formada por funcionários públicos, feitores, militares, comerciantes e artesãos. Na base da sociedade estavam os escravos, de origem africana, considerados simples mercadorias. Havia também a criação do gado bovino como forma de atividade secundária. Destinado, principalmente, ao abastecimento de carne, couro e animais de tração dos engenhos. Este foi responsável pela interiorização da colonização, uma vez que, era proibida a criação desses animais próximos às plantações, para não prejudicar o cultivo da cana-de-açúcar. Diferente das plantações de cana, a criação de gados era uma atividade de subsistência, incompatível com o trabalho escravo, efetuada por cidadãos livres, pois não dava para colocar escravos para pastorar os animais, uma vez que corria o risco de ambos fugirem.
A economia escravagista brasileira e o processo de desenvolvimento das forças produtivas da colônia.

A União Ibérica e a política portuguesa com relação à colônia.
A União Ibérica em 1621 provocou intensas modificações no rumo das relações portuguesas com suas colônias. Esse país perdeu a melhor parte de seus entrepostos orientais ao mesmo tempo em que a melhor parte da colônia americana era ocupada pelos holandeses. Com a independência Portugal viu-se obrigado a aliar-se a Inglaterra para proteger-se da ameaça espanhola de retomar a união. A aliança significaria para Portugal alienar parte de sua soberania a Inglaterra. Os Holandeses invadem o Brasil em 1630 ocupando o litoral de Pernambuco e lá permanecem até a sua expulsão em 1654. Após a saída do Brasil os holandeses implantarão nas Antilhas as técnicas de produção, copiadas durante a permanência na colônia portuguesa. Com Portugal em crise e os holandeses fora da colônia o Brasil começa e se reorganizar política e administrativamente. Porém o açúcar brasileiro passa a sofrer a concorrência da produção holandesa nas Antilhas. Com a concorrência e a desvalorização do preço do açúcar devido a superprodução a economia açucareira começa a entrar em crise e é ofuscada pela descoberta do ouro em Minas Gerais. Fragilizado pelos acordos que tinha feito com a Inglaterra, Portugal passa a ter um papel de mero coadjuvante servindo apenas de entreposto comercial. Graças ao acordo estabelecido com os ingleses Portugal renunciaria o desenvolvimento manufatureiro trazido pela descoberta aurífera, transferindo para a Inglaterra o impulso dinâmico criado pela produção do ouro no Brasil. Mas foi graças a estes acordos que Portugal pode manter uma sólida posição política numa etapa que resultou ser fundamental para a consolidação do território de sua colônia americana.
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